sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A eficiência da polícia carioca

Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão
Que aflição!
Era a dura
Numa muito escura viatura
Minha nossa, santa criatura
Clame, chame, chame o ladrão
Chame o ladrão


-- Chico Buarque de Holanda

Contam que um célebre califa árabe, ao visitar um oásis em seus domínios, foi confrontado com a seguinte situação: um crime havia sido cometido, crime cuja pena prescrita era a morte, e três suspeitos estavam presos.

Acontece que, por mais que investigassem, não havia sido possível identificar o real culpado. A dúvida persistia e ninguém sabia o que fazer

Com a chegada do califa, apresentaram a ele a questão, e ele sentenciou: "Matem os três. Allah saberá reconhecer e premiar os inocentes. É melhor matar dois inocentes do que deixar um culpado impune."

 

Num país onde a impunidade tem sido sempre um problema, até nos sentimos tentados a louvar a solução dada pelo califa, mas...

Mas fora das lendas, nessa nossa vida real, os inocentes têm famílias, que sofrem ao vê-los mortos inutilmente. Além do mais, nesse nosso mundo real, não há nenhum deus para recompensar. Há apenas a obliteração da morte.

 

Em meio a tudo isso, a polícia carioca nos mostra a cada dia que já adotou a solução do califa. Agora, em mais um incidente, mata junto com os três ladrões de veículos, os dois reféns por eles capturados.

Não satisfeitos, mandaram que um civil, provavelmente um desses passantes que adoram ver cenas sangrentas, descesse ao rio onde o carro havia caído e buscasse as armas dos assaltantes. Segundo um porta-voz da polícia civil, eles estavam preocupados com a possibilidade da água do rio levar as armas embora. Quanta preocupação! Que profissionais conscienciosos!

 

Há muito tempo que venho comentando nesse blog sobre a ação da polícia, mais especificmente da PM, que vem se especializando em matar inocentes e em fazer tratos com os culpados.

Enqanto os culpados se sentem plenamente seguros no Rio, pois são protegidos pela corrupção policial, os cidadãos honestos sentem-se duplamente inseguros, pois tem de temer os bandidos sem farda e os de farda.

 

Acontecem que o policial, mais que ninguém, tem a certeza da impunidade. Quando preso ele sabe que seus colegas darão apoio, proteção e até facilitarão a fuga. E depois de fugir ele sabe que estará seguro com seus empregadores, no alto dos morros, dando proteção às bocas de fumo.

 

Essa certeza da impunidade é que faz com que, numa situação dessas, mandem alterar a cena do crime à luz do dia, diante de todos os presentes, chegando ao ponto do episódio ser filmado por um cinegrafista amador presente no local.

Nos países civilizados, onde não vigora a lei da selva, onde as vidas dos cidadãos são reputadas como valiosas, todos preservam a cena de um crime de morte. Sabe-se que a integridade da cena do crime é essencial para que os peritos possam desvendar o que aconteceu. Só os culpados têm interesse na alteração da cena de um crime.

Desafio qualquer pessoa a encontrar um policial que, além da sua arma oficial, não carregue consigo outras armas, em geral pequenos revólveres ou pistolas.

São essas armas, meu caro leitor ou leitora, que irão parar na sua mão, no caso de você ser morto pela polícia. Você será acusado de ter resistido a prisão e talvez até achem drogas no seu corpo ou no seu carro. Além de assassinado, você terá fama de criminoso(a), de assassino(a), de traficante.

Claro que essa estratégia de alterar a cena do crime não funciona sempre. Algumas vezes, como no caso do garoto de três anos assassinado por policiais na Tijuca esse ano. Os policiais em geral não estão entre as pessoas de QI mais elevado, mas são espertos o suficiente para entender que não dava para acusar o menino morto de estar armado. Ou de ser traficante. Ou de ter uma vasta ficha de antecedentes criminais.

É nesses raros casos que eles têm de contar com a outra ponta da máquina da impunidade: a justiça.

Os policiais que mataram o menino foram considerados inocentes.

Parece que ninguém percebe que isso equivale, moralmente, a dizer que o menino morto era culpado. Culpado de existir. Culpado de viver no Rio. Culpado de sair de carro com sua mãe.

 

Costumo dizer que tenho vergonha, em algumas horas, da minha condição humana. As ações da polícia e da justiça no Brasil, e em especial no Rio de Janeiro, sempre me fazem sentir assim.

 

Neste natal, faço votos que você tenha um feliz 2009. Que nesse ano você não encontre com a polícia carioca, em hipótese alguma. Que se você for assaltado, que tenha o bom senso de não chamar a polícia. Lembre-se, aqui matam as vítimas também...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Assentos especiais

Terça-feira pela manhã tomei uma barca para ir de Niterói para o Rio de Janeiro. Estava cansado e deprimido, apesar de ser cedo da manhã. Havia acabado de separar-me definitivamente da mulher que eu julgara que passaria o resto da vida comigo.

Quando entrei na barca, notei que os primeiros assentos ocupados eram aqueles destinados às pessoas, deficientes e senhoras gestantes. Mas não eram ocupados por essas pessoas, e sim por gente jovem, forte e saudável. E mais adiante, ao observar os assentos, notei que as mesmas pessoas continuavam sentadas, enquanto alguns idosos estavam de pé. Há muitas pessoas nas barcas nesse horário.

Sempre tentei entender porque as pessoas fazem isso, mas na manhã de terça-feira passada a resposta me veio à mente com clareza: ELES TÊM O DIREITO DE ESTAR LÁ!!!

Qualquer pessoa que deixe um idoso, um deficiente físico ou uma gestante de pé e permaneça no assento calmamente é também deficiente: DEFICIENTE MORAL.

Essa mania de "esperteza" do brasileiro produz gerações e gerações de deficientes morais. Pessoas que se acham mais espertas que as outras por serem desonestas. Pessoas que se julgam no direito de fazerem o que quiserem, como se estivessem sozinhas no planeta.

Enquanto essa noção errada de "esperteza" não se desfizer pela educação, não teremos uma evolução verdadeira em nosso país. Não adianta pagar a dívida externa, não pedir mais dinheiro ao FMI, entrar no "primeiro mundo"...

Nada disso adianta enquanto não pudermos ter pessoas educadas e conscientes, enquanto não pudermos ter assentos especiais respeitados, enquanto não pudermos vender jornais em máquinas daquelas em que se coloca a moeda quando a porta se abre retira-se apenas um jornal.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ilusões

Sempre ligamos a palavra "desilusão" com algo negativo. Desiludir-se é ver o mundo cair diante de nós, é perder a imagem que se tinha de algo ou de alguém...

Mas eu tenho uma proposta para fazer aqui: Que tal examinar a possibilidade de que a desilusão é boa?

Vamos ver a coisa por ângulos diferentes:

a) Quem é que deseja viver eternamente numa fantasia? - Será que uma pessoa em seu juízo perfeito, deseja mesmo viver numa fantasia?? Não seria melhor e mais produtivo encarar a verdade de frente? Refiro-me a pessoas adultas e supostamente racionais. Será que pessoas assim aceitariam viver algo que não é real por muito tempo?

b) As ilusões vão acabar mais cedo ou mais tarde, e quanto mais tarde pior - Quanto mais tempo levamos imersos na ilusão, mais difícil libertar-mo-nos dela. E mais danosas as eventuais conseqüências.

Por isso, de agora em diante, sugiro que você encare essas desilusões como excelentes oportunidades para atingir a verdade. Como situações de aprendizado. Como um libertação da mentira.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Ninguém tem culpa

Ainda sobre o post anterior...

O rapaz morto por não estar vestido nos padrões que o vigilante achava necessários para entrar nas Casas Bahia e comprar um colchão vai ser, ao que me parece, mais um caso sem justiça.

As Casas Bahia dizem que querem satisfações da empresa se segurança. Na empresa de segurança, ninguém se manifesta.

E mais uma família lamenta uma vítima da estupidez...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O crime de vestir-se mal

Numa loja das Casas Bahia entrou um rapaz. Vinte e seis anos. Pronto para casar. Com uma criança de cinco meses para cuidar e uma família que o amava. Mas esse rapaz foi morto. Assassinado por um segurança por ter cometido um crime horrível: ele estava mal vestido!


Na nossa patética sociedade de consumo, com valores globalizados e massificados, parece que agora é crime, passível de pena de morte, não estar enquadrado nos critérios sociais de vestir-se bem.


Portanto, fiquemos atentos! Aqueles de nós que não estiverem usando sapatos, calças e bolsas de marca, poderão ser executados nas esquinas. Aqueles que não balançarem nas mãos chaves de carrões serão tidos como marginais. Afinal, não estarão contribuindo com seu consumo para dirimir a crise do setor automobilístico.

O mesmo noticiário que revelou esse absurdo, falou sobre a iminente falência da General Motors. Com essa brava crise internacional, talvez voltemos a andar de carroças. Isso não me surpreenderá nem um pouco, já que em nossas mentes parece que nem sequer saímos das cavernas.

Uma vez fui à Mesbla, comprar uma calculadora científica. Como o rapaz que foi morto, fui de bermuda e camiseta. Aproximei-me do balcão onde estavam expostas as calculadoras, mas nenhum vendedor aproximou-se de mim para oferecer seus préstimos, muito embora eu tivesse o dinheiro no bolso para comprar e pagar à vista o produto que eu queria. Naquela época, aos dezesseis anos, senti-me muito constrangido e acabei indo embora e comprando noutro lugar. Hoje percebo que tive sorte. Pelo menos não atiraram em mim!




quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Lula sorri da crise

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou nesta terça-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o convocando para participar de uma reunião mundial com as maiores economias, a fim de discutir mecanismos que possibilitem às nações evitar que crises financeiras como a provocada pela insolvência de grandes bancos americanos voltem a se repetir e comprometam os ciclos de crescimento dos demais países. Fonte: Laryssa Borges - noticiário do Terra)


Desde o começo que o Lula vem dizendo que a crise na economia americana, que repercutiu em todo o mundo, não vai afetar o Brasil em nada. E agora ele vai passar a dizer que a crise está sendo até legal, pois o sonho dele já se realizou: o Bush ligou para ele pedindo ajuda!

Finalmente os americanos se renderam e admitiram o que o Brasil já sabia: nunca houve um presidente como o Lula, em todo o planeta!

Eu até proponho que sejamos solidários como nossos vizinhos de continente. Já que eles mesmos admitem que nem McCain nem Obama pode resolver os problemas deles, mas apenas e tão somente o Lula, por que não mandamos ele para lá de uma vez?

Passagem só de ida, por favor...


EM TEMPO: As bolsas da Ásia despencaram novamente (http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200810220630_EFE_77565396). Corre lá Lula! Vai salvar os de olhinhos puxados, pois aqui já estamos de olhos bem abertos com você, companheiro!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Secretário Nacional critica ação da polícia no caso Eloá

Fonte: MSN Notícias

O Secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, afirmou hoje que "houve erros flagrantes" na condução das negociações no caso que culminou na morte da adolescente Eloá Pimentel, de 15 anos, em Santo André, no ABC paulista. "A reintrodução de uma das vítimas no local de seqüestro, que pelo padrão internacional de polícia, é inadmissível. Tivemos uma tentativa de invasão que demorou alguns segundos e que ela deveria ter sido múltipla. No mínimo ter alguém entrando pela janela. Pelas cenas que tivemos nos vídeos, tivemos dificuldade de mobilização do criminoso e há técnicas internacionais de ter três a quatro policiais se mobilizando imediatamente", disse.

Para ele, o caso é "é um exemplo para que a polícia brasileira faça uma revisão na maneira que realiza suas operações e passe a capacitar melhor seus agentes, sobretudo, em casos de negociações que envolvam reféns". "É preciso aprofundar as técnicas para atuação de seqüestro", afirmou ele, durante visita ao Estado do Piauí, a convite do Secretário Estadual de Segurança Pública, o delegado federal Robert Rios Magalhães, para inauguração de uma Central Única de Flagrantes.

Balestreri afirmou que houve erros graves na negociação das vítimas que acabaram levando à morte da estudante Eloá. Segundo ele, houve momento de muito stress. "Depois de cem horas todo mundo está estressado", afirmou. "A gente percebe que esse tipo de evento está mal coberto no Brasil do ponto de vista técnico. O episódio é dramático, mas nos alerta para que no futuro outras possibilidades iguais sejam trabalhadas de forma diferente." Ele considera que houve excesso de entusiasmo na negociação e, por isso, passaram dos limites.

Bom saber que alguém está ciente das besteiras que andaram fazendo nesse caso. Por outro lado, isso não devolve a vida de Eloá, não apaga a dor da família dela e não extermina com esse ser lamentável que começou essa desgraça toda.

O (des)Governo Lula anda falando em convovar uma Assembléia Nacional Constituinte. Claro que eles só querem achar uma brecha para que Lula seja perpetuado no poder junto com a sua gang (que inclui a Martaxa, amados paulistanos). De qualquer modo, seria uma oa hora para rever as "cláusulas pétreas" e aprovar de vez a PENA DE MORTE para animais assim.

Chega de hipocrisia. Chega de dizer que vivemos num país pacífico e por isso não podemos ter PENA DE MORTE. Não vivemos em um país pacífico. Vivemos num caos urbano onde há, sim, muita violência. Só que estão morrendo as pessoas erradas.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

E aí, foi bom para você?

Sobrevivemos ao "hilário eleitoral gratuito", como tão adequadamente diz o José Simão.

Suportamos a maciça distribuição de "santinhos" de candidatos nas ruas.

Aturamos as irritantes musiquinhas de campanha, totalmente desprovidas de significado e destinadas apenas a "lavar o cérebro" do eleitorado, fixando a única coisa que realmente importa: o número do candidato. Não seu programa, não sua idéias, o seu número... é nisso que o povão vota!

Aguentamos até as propagandas do TRE, nas quais a Lavínia Vlazak irritava a todos: as mulheres, por vê-la tão bela, apesar de tão grávida; aos homens, por vê-la tão grávida e saberem que não tiveram qualquer participação nisso.

Finalmente ontem, depois de todo esse sofrimento, num verdadeiro orgasmo cívico e patriótico, nós votamos!

A analogia entre o voto e o orgasmo (o masculino, que fique bem entendido) não é tão inusitada assim. E não estou sendo grosseiro e pensando no ato de depositar algo em um orifício, pois as urnas eletrônicas acabaram com essa parte da comparação. Há outras semelhanças, porém.

Em primeiro lugar, assim como o orgasmo é o clímax do ato sexual, o voto é o clímax do ato eleitoral. É ali que a coisa acaba para o eleitor, que só pode, dali em diante, relaxar,olhar para o teto e acender um cigarro, exatamente como no velho e gasto clichê do cinema. Nada mais ele pode fazer, já que aceitou o jogo da democracia representativa. Agora o prefeito escolhido governará em seu nome, e em seu nome os vereadores eleitos farão veementes discursos sobre a importância do aumento dos próprios salários, já que essa parece ser a principal função de um vereador.

Além disso, ao orgasmo masculino segue-se um tempo de impotência, que varia com a idade, a saúde, o nível de excitação e a condição física do homem. No caso do eleitor, seja homem ou mulher, esse tempo de impotência é bem definido: dura até a próxima eleição. Até lá ele não pode fazer nada, a não ser assistir aos atos dos outros. No caso, aos atos daqueles a quem elegeu. Uma atitude muito parecida com a do homem que, após um orgasmo, liga a televisão para ver um filme pornô e excitar-se novamente. E a nossa política é, de fato, um filme pornô, onde não é difícil imaginar quem são os atores ativos e quem são os passivos, ou seja, "quem está botando em quem".

Esse período de impotência prolongado acontece porque não foi dado aos eleitores qualquer mecanismo de cobrança. Uma vez que ele tenha dado o seu voto a um candidato que prometeu isso e aquilo, o candidato eleito pode ir lá e fazer tudo ao contrário, sem que o eleitor possa fazer nada, exceto esperar o próximo período de tesão eleitoral.

A semelhança mais marcante, porém, entre o voto e o orgasmo masculino, ao meu ver, é a necessidade de verificar se a outra parte ficou satisfeita. Enquanto o orgasmo do homem deixa marcas visíveis (e pegajosas, diga-se de passagem), o da mulher é muito mais interior, menos óbvio. Por isso, qualquer homem que tenha ultrapassado o nível de um troglodita deve sempre preocupar-se em saber se satisfez ou não sua parceira.

Da mesma forma, após depositar seu voto na urna, qualquer pessoa fica curiosa para saber se sua escolha vai (ou não) satisfazer os anseios da sociedade em geral.

Acontece que a sociedade (ou melhor, aqueles que a controlam) desenvolveu mecanismos para fingir satisfação, da mesma forma que as mulheres aprenderam a fingir o orgasmo (graças aos brutamontes que não se preocupam com o prazer delas, mas que querem ter seus egos massageados, ainda que seja por uma satisfação fingida).

Enquanto uma mulher pode arranhar as costas do parceiro e simular espasmos e gemidos para mostrar um prazer que não está sentindo, os donos do poder podem fazer campanhas milionárias (com dinheiro público, é claro) para mostrar o quanto a sociedade melhorou a partir do momento e que você os escolheu nas urnas. É a forma que eles acharam para responder "sim querido" ante a clássica pergunta "foi bom para você?".

Eu sempre pensei, em relação ao sexo, que quando uma relação sexual é verdadeiramente gratificante para ambos, nenhum dos dois precisa perguntar se foi bom para o outro. Os resultados são tão óbvios que não precisam ser inquiridos ou declarados.

Similarmente, se seu voto foi bem aproveitado, as conseqüências deveriam ser óbvias. Se o prefeito e os vereadores foram bem escolhidos, a sua cidade deve melhorar. E você acabará vendo isso sem que ninguém precise afirmar o fato com grandes campanhas (pagas com o seu dinheiro).

Desconfie, portanto, se amanhã os eleitos de ontem estiverem na televisão tentando mostrar o quanto o mundo ficou melhor depois que você votou neles, ou então fazendo grandes pesquisas de opinião pública (também pagas com seus impostos), que não são mais que outra forma de perguntar: "E aí, foi bom para você?"

terça-feira, 26 de agosto de 2008

VAGÕES ESPECIAIS, COTAS E IGUALDADE

Os vagões especiais para mulheres chamaram a minha atenção desde o momento em que foram implantados. Algo neles me incomodava e com certeza não era o fato de não poder assediar jovens indefesas durante as viagens. Finalmente descobri o que era, e de uma forma bem indireta.

Numa das comunidades que freqüento no Orkut havia um casal de namorados. Mesmo morando em cidades diferentes, pareciam muito felizes e ajustados. Falavam em casamento. Falavam em amor. Essa semana o namoro acabou de forma abrupta. Ela descobriu que ele estava namorando outra pessoa da comunidade secretamente. Ao descobrir isso, pediu ao dono da comunidade que expulsasse os “adúlteros”, alegando que não se sentiria bem ao deparar com eles na comunidade após um fato tão desagradável. O pedido foi deferido e os dois foram expulsos.

Não vou questionar a dor de uma traição desse tipo. Dói mesmo. E é para doer. Se não doer, é sinal de que toda a sensibilidade humana foi perdida. O que questiono é a necessidade de proteção.

Nasci nos anos sessenta, em meio ao apogeu do Movimento Feminista. E parece que o espírito de época me afetou pois, enquanto homem, sou absolutamente feminista. Acredito sinceramente que as mulheres são iguais e têm os mesmos direitos que nós, em todos os sentidos.

É justamente por ser feminista, por acreditar nessa igualdade, que os vagões especiais para mulheres me incomodam tanto. Se você precisa de proteção contra alguém, está admitindo que não é igual, mas sim inferior.

Assim como as mulheres, também não gosto do contato com um monte de marmanjos. Mas não vou pedir que o metrô crie um “carro especial para homens que não gostam de se esfregar em outros homens”. E não vou fazer isso justamente porque sou igual a esses homens e presumo que a maioria deles também não gosta do meu contato, que é apenas mais uma contingência desagradável da vida nos grandes centros urbanos.

Da mesma forma que os vagões para mulheres, também as cotas para afro-descendentes nas universidades me incomodam. Acho tais cotas racistas. Não sou racista, por isso recuso-me a achar que os afro-descendentes são inferiores e que precisam de proteção especial para atingir a escolaridade superior.

Ao invés de gastar tempo nessas medidas paliativas, a sociedade brasileira deveria ocupar-se em garantir um ensino público de melhor qualidade, pois isso criaria oportunidades iguais para todos. A grande discriminação na nossa sociedade não é a racial, mas a econômica. E se os afro-descendentes constituem uma maioria entre os menos favorecidos economicamente, devemos resolver, isso sim, o problema da distribuição desigual de oportunidades de crescimento.

Fui contra a expulsão do casal. Não porque apoie a atitude desleal deles, mas porque acho que a jovem que foi traída cresceria, amadureceria melhor, se tivesse a oportunidade de confrontar seus traidores e mostrar, de cabeça erguida, que foi ela quem saiu ganhando. Afinal de contas ela livrou-se de um namorado desleal e de uma falsa amiga. Que lucro pode ser maior que esse?

Não podemos proteger as pessoas da vida eternamente. E quando tentamos fazer isso geramos pessoas fracas.

Sou pai de três meninos. Tempos atrás um deles, o mais velho, chegou em minha casa chorando porque havia levado uma surra de um menino maior na escola. Perguntei a ele o que ele queria que eu fizesse. Ele disse que queria que eu fosse lá e batesse no menino. Perguntei então se ele achava justo que um menino maior batesse em um menor, como o colega havia feito com ele. “Claro que não”, respondeu meu filho. “Então”, perguntei a ele, “porque me pede para cometer uma injustiça ainda maior? Afinal de contas, eu sou maior que o menino que te bateu, mais forte e mais velho.” Em princípio meu filho ficou chocado e me perguntou se eu não ia fazer nada. Eu fiz. Comecei a ensiná-lo a defender-se.

Não quero que meus filhos dependam de mim. Não os quero fracos, pois vivemos em uma selva onde o fraco é alimento para o forte e o forte para o mais forte ainda.

Quero que meus filhos saibam que são iguais a qualquer outra pessoa. Nem melhores, nem piores. E que não devem sair por aí impondo sua vontade com base na força, mas que não devem aceitar que qualquer outra pessoa faça isso com eles.

Por isso deixo meu conselho para as mulheres e para os afro-descendentes: Se vocês querem realmente conquistar a merecida igualdade, não se escondam atrás da proteção social, do paternalismo. Quem os proteger vai sempre achar que são inferiores, justamente por necessitarem de proteção.

Vivemos num mundo cruel, é verdade. E para viver nesse mundo, tive de ficar um tanto cruel. Sou favorável a desenvolver a força (não confundir com violência), não a proteger a fraqueza.

Sou um evolucionista convicto e sei que melhores ratoeiras só servem para gerar ratos melhores. Creio que a opressão dos homens contra as mulheres só servirá para gerar mulheres melhores, mais inteligentes, mais espertas, mais capazes de se defenderem. Da mesma forma, a opressão dos brancos sobre os negros acabará por desenvolver nestes a força necessária para mudar o quadro social. Ambas as coisas já vêm acontecendo, felizmente. E não é através da proteção social, mas sim da luta, do esforço.

O que vou dizer pode até parecer absurdo, mas é uma semente a ser plantada no pensamento dos que lerem esse texto.

Os vagões especiais são uma tentativa da sociedade de mostrar para as mulheres que elas são frágeis e necessitam de proteção, sendo portanto inferiores. Não é uma reação de proteção, mas sim uma maneira de minar a evolução delas, que tem incomodado muitos homens inseguros.

As cotas não são um favorecimento, mas sim uma maneira de mostrar aos negros que eles são inferiores, minando assim a brilhante luta pela consciência social que eles vêm desenvolvendo e que tem incomodado muito os brancos inseguros.

Pensem nisso. Vocês verão que faz sentido!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Políticos

Todos gostam de falar mal dos políticos. Inclusive eu. É uma forma de catarse, uma vingança pelos desmandos, pela opressão, pelo constante saque das riquezas do nosso país.

Há, entretanto, dois fatores que devem ser levados em consideração quando paramos para falar mal dos políticos.

Em primeiro lugar, eles não surgem do nada. Como dizia o falecido pensador e humorista americano George Carlin, os políticos não vêm de outra dimensão e nem são trazidos por naves espaciais. São fruto, sim, das escolhas erradas que fazemos em nossa conivência criminosa com a farsa eleitoral da pseudo-democracia em que vivemos.

A cada eleição, os mesmos cidadãos que ficaram quatro anos criticando as ações de cada um dos níveis da administração pública e do legislativo, dirigem-se às urnas e legitimam com seus votos novos mandatos para homens e mulheres que eles sabem que vão agir da mesma forma que seus antecessores. Isso, é claro, quando não tornam a eleger os mesmos que eles criticaram.

As razões para um tal comportamento são as mais diversas.

Uns alegam que todos são iguais e que, como são obrigados a votar em alguém, votam de qualquer modo. Outros beneficiam-se, direta ou indiretamente, por possuírem cargos controlados por políticos ou apenas através da venda de seus votos em troca de uma ninharia
qualquer.

As razões são muitas e seria impossível tratar de todas aqui, mas todas contribuem para o cenário que vemos. Mas a mais absurda de todas é a seguinte: A mentalidade estúpida do povo brasileiro minimiza os crimes cometidos contra a sociedade.

Permitam que eu explique.

Quando verbas destinadas ao Sistema Único de Saúde são desviadas, o que está acontecendo não é um "esquema". Não é nem mesmo um roubo. O que está acontecendo são múltiplos assassinatos. Cada pessoa que morre nos hospítais públicos por falta de atendimento adequado é uma vítima daqueles que montaram os "esquemas" de desvio de dinheiro da saúde.

Apesar dessas coisas acontecerem todos os dias, continuamos preocupados com as vítimas das balas perdidas e não ligamos nem um pouco para essas outras vítimas. Talvez porque os seus assassinos não moram nos morros, mas em elegantes mansões, e não são chamados de traficantes, mas de políticos, empresários e industriais.

Quando as verbas destinadas à melhoria das estradas são desviadas, o que está acontecendo não é um "arrumadinho", mas sim outra série de assassinatos. Pessoas morrem diariamente em acidentes causados pela falta de sinalização adequada e pela situação ridiculamente precária das nossas estradas.

Se formos procurar, acharemos com certeza outros exemplos onde a manipulação criminosa do dinheiro público ceifa vidas de diversas formas.

A outra coisa que precisamos lembrar quando vamos falar mal dos políticos, é que eles são apenas um ramo da corrupção. São apenas o ramo que cria a justificativa legal para os roubos e assassinatos. São apenas o suporte, a legitimação das atividades legais que espoliam o
povo constantemente.

Por trás dos políticos está o interesse capitalista. Estão os grandes industriais e empresários que se beneficiam das licitações fraudulentas, dos contratos executados fora das especificações, das obras pagas e nunca realizadas.

São os interesses do capitalismo, disfarçados muitas vezes em políticas sociais, que sugam o patrimônio do nosso povo e a riqueza do nosso país.

Claro que essas duas classes muitas vezes se confundem. Muitas vezes os próprios industriais e empresários decidem entrar na arena política, beneficiando-se assim duplamente. Está aí o nosso vice-presidente José Alencar, que não me deixa mentir.

Não dá para esquecer, porém, os que ficam escondidos. PC Farias nunca exerceu cargo eletivo. Nem Marcos Valério, nem "Manuel Português". Mas Collor, FHC, Lula e Orestes Quércia serviram de suporte para que esses ilustres cavalheiros se servissem do dinheiro público, ampliando suas fortunas e seus negócios às custas do país, ou melhor, do povo.

Chega de eufemismos. Temos de passar a chamar os assassinos de assassinos, para ver se assim rompemos psicologicamente com esse esquema de dominação que vem sendo mantido há mais de quinhentos anos.

sábado, 19 de julho de 2008

Eu estava caminhando...

Eu estava caminhando pelo meio da rua...

Sim, é isso mesmo o que você acabou de ler. Como uma forma de protesto pela invasão das calçadas pelos carros, procuro andar bastante pelo meio das ruas, invadindo também o espaço urbano dos motoristas como eles descaradamente fazem como o espaço dos pedestres.

Pois bem, eu estava caminhando pelo meio de uma movimentada rua do bairro da Tijuca quando um motorista gritou "Maluco!" para mim.

Curiosamente, ele provavelmente não se considera maluco quando estaciona o seu carro sobre uma calçada, impedindo que pedestres (entre os quais crianças e pessoas de idade, sem muita agilidade)
exerçam seu direito de ir e vir em segurança sobre as calçadas.

E sabe por que ele não se considera assim? Porque ele pertence àquela privilegiada parte da população que tem carro e que pode circular com seu carro por aí. Julga-se um membro das "classes superiores" e portanto pode invadir qualquer espaço sem ser punido. É um dos "nobres modernos", com direitos feudais e hereditários sobre as vidas de todos os circunstantes. Assim, quando eu invado o espaço dele, a rua, sou maluco e estou ofendendo seus direitos. Mas quando ele invade o meu espaço, a calçada, está apenas exercendo seus poderes naturais.

Se você pensa que vivemos em uma sociedade livre, democrática e igualitária, está muito enganado(a). Vivemos numa sociedade de classes estritamente delimitadas, onde a posse de certos símbolos de status é elemento essencial para distinguir os direitos de cada um.

Nessa sociedade há vários indicadores da posição de cada um. E não estou falando das leis. supostamente elas são feitas para todos. Já foi dito que a lei proíbe igualmente que ricos e pobres durmam debaixo das pontes e roubem pão para matar a fome.

Não, os indicadores são mais sutis... muito mais sutis.

A legislação exige, por exemplo, que as garagens dos prédios tenham um sinal sonoro para avisar aos pedestres de que um carro está saindo. Parece uma medida para proteger os pedestres, mas não é. É, na verdade, uma medida para impedir que os pedestres atrapalhem a livre movimentação dos automóveis e para proteger os motoristas do inconveniente de atropelarem algum pedestre, sujando assim seus para-choques com sangue. Se fosse uma medida para proteger os pedestres, o sinal sonoro seria dentro dos carros, na forma de uma voz dizendo: "Cuidado com os pedestres. Saia devagar de sua garagem e com atenção."

Nessas pequenas coisas podemos perceber o verdadeiro enfoque da sociedade em que vivemos, que é completamente organizada para proteger os direitos dos que possuem algo contra aqueles que nada têm.


quinta-feira, 17 de julho de 2008

Cuidado que a pontaria deles vai melhorar

A PM carioca conseguiu acertar mais uma criança. Dessa vez uma menina de quatro anos. Depois eles dizem que não têm boa pontaria. Me parece que é o contrário, já que crianças são menores que adultos e mais difíceis de acertar.

Mas eles não ficaram só nisso. Mataram também o pai dela.

Claro que ninguém está se importando a mínima com isso. Crianças não pagam impostos e com menos de 16 também não votam nas eleições. Por isso os governos (Federal, Estadual e Municipal) não estão nem aí para elas.

Mas nós, que somos pais, temos boas razões para temer essa guerra entre PMs e crianças. Afinal, não é uma guerra das mais justas, já que só um lado usa armas.

Mataram também um rapaz que aparentava dirigir embriagado, inventando assim uma nova pena capital: pena de morte para bêbados. Depois dizem que a PM é composta por gente burra e sem imaginação. Que absurdo!!! Se eles me pegam na rua numa sexta-feira depois do trabalho, vão organizar até um pelotão de fuzilamento para mim.

E a coisa vai piorar, pois o BOPE (órgão imortalizado pelo filme "Tropa de Elite") anunciou que vai dar cursos de tiro para a tropa regular. Com isso nossos valentes policiais vão ter mais capacidade de acertar criancinhas. Dentro em breve estarão conseguindo acertar o olho de um bebê a mais de cem metros. Tremei, crianças cariocas!

Mas para a felicidade dos cidadãos, dois PMs foram mortos noite passada. Isso significa que há dois potenciais assassinos de crianças a menos na nossa cidade essa manhã. Bem que ao sair de casa senti que o ar estava mais leve...

Sempre fui contrário ao tráfico de drogas, mas depois que a PM começou a matar criancinhas, começo a pensar nos traficantes como nossos intrépidos paladinos, que matam quem mata nossos filhos.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Pena de morte para as vítimas de assaltos

A PM carioca inaugurou uma nova modalidade de punição: a pena de morte para vítimas de assaltos.

Os policiais não têm mais qualquer preocupação com os alvos e chegam matando todo mundo, assaltantes e assaltados.

Antigamente, no caso de um assalto, esperava-se ansiosamente que a polícia aparecesse e impedisse a realização do mesmo. Hoje, se isso acontecer, é morte certa para a vítima.

Essa não foi, aliás, a única coisa que mudou. Quando eu era criança, meus pais me diziam que se algo acontecesse comigo na rua eu devia procurar o primeiro policial por perto e falar com ele. Hoje em dia eu digo aos meus filhos que, haja o que houver, fiquem longe dos policiais.

Costumo dizer também que prefiro ser abordado por assaltantes do que por policiais. É mais seguro. Os assaltantes algumas vezes matam de ousados que são, mas os policiais tem (ou pensam que tem) autorização para matar. E estão usando essa autorização bastante ultimamente, contra adultos e até contra crianças.

Triste situação a da população carioca, que tem de temer até quem a devia proteger.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Qual o problema em ser menino e chamar-se João no RJ?

Quando o garoto João Hélio Fernandes foi arrastado do lado de fora de um carro pelas ruas do Rio de Janeiro por um bando de assaltantes que queriam roubar o carro de sua mãe, falou-se muito no elevado nível de crueldade dos criminosos.

Agora o garoto João Roberto Amaral é assassinado por policiais, e vamos falar o quê?

Não se esta mais discutindo a fúria de drogados que querem roubar carros para trocar por drogas nos morros, mas sim o despreparo, o descaso ou a estupidez da Polícia Militar, que usa a nós cidadãos como alvos, quando deveria nos proteger.

O Secretário de (in)Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, está inaugurando hoje, no mesmo dia do enterro de João Roberto, a Universidade da Polícia do Rio, um centro de qualificação de policiais.

Segundo o site de notícias Folha on-Line: "Ontem, o secretário chamou de 'infeliz coincidência' a inauguração do centro para treinar melhor policiais no dia seguinte a um episódio que, segundo ele, revelou a falta de preparo de dois policiais militares. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), também participará da cerimônia."

E isso é tudo. "Infeliz coincidência"... Eu não classificaria a coisa assim. Prefiro pensar que é uma amarga ironia, uma "crônica da morte anunciada".

Que a PM é mal preparada, todos sabemos. Que a PM ganha mal, todos sabemos. Que os PMs acabam vivendo nos morros, perto dos traficantes que têm de combater e que acabam se corrompendo ou morrendo, todos sabemos. Que a PM tem corruptos, sádicos e criminosos, todos sabemos.

O que nós não sabíamos era que José Mariano Beltrame e Sérgio Cabral tomarem uns drinques numa cerimônia de inauguração iria resolver o problema. Se eu soubesse, já teria mandado uma garrafa para os dois há muito tempo!

É por essas coisas que não se verifica uma evolução na direção da solução dos problemas. As medidas são apenas de fachada. Inaugura-se muito, mas faz-se pouco. Fala-se muito, mas nada de concreto é feito.

Eu nunca fui um grande defensor da pena de morte, mas agora sou. Se os vagabundos que mataram João Hélio já tivessem sido executados, esses policiais teriam mais cuidado com a pontaria.

Em meio a tudo isso me pergunto: por que estão declarando guerra às nossas crianças?

Os animais irracionais protegem suas crias. Será que somos tão piores assim, que fazemos das nossas crianças alvos de fuzis, sacos atirados dos prédios ou as arrastamos pelas ruas?

Pior: Por que permitimos que façam tais coisas com elas sem retaliação?

Nenhum dos meus filhos chama-se João. Também nenhum mora no RJ. Mas se um deles fosse morto por assaltantes drogados ou policiais idiotas, eu não iria chorar na frente das câmaras ou fazer manifestações de protesto. Eu mataria os assassinos na primeira oportunidade!

Só assim os dois lados da criminalidade carioca, assaltantes e policiais, iriam saber que não podem matar crianças impunemente.






terça-feira, 24 de junho de 2008

Lamentando a morte do Estado de Direito

Enquanto todos estão preocupados com a tragédia dos jovens mortos pelos traficantes do Morro da Providência depois de terem sido entregues a eles pelos soldados do Exército, meu foco de atenção volta-se para outra coisa.

Não é que eu não lamente pelas famílias que perderam seus entes queridos. Como pai, imagino como devem estar se sentindo os pais e mães dos rapazes assassinados.

Mas a minha preocupação é com uma outra morte que passou desapercebida: a morte do Estado de Direito!

Uma juíza determinou a imediata saída dos militares do Morro da Providência. não vou entrar no mérito dessa decisão. Não é esse o tema aqui. O problema reside, sim, na atitude desafiadora do Exército que não cumpriu a decisão judicial.

Mais uma vez ficou claro que o poder dos fuzis ainda é maior que o da Lei no Brasil. Cedat toga armis, a toga cede à espada.

O problema é que quando o Estado de Direito morre, ninguém mais está seguro. Já presenciamos, em passado não muito distante, o que acontece quando os militares mandam mais que a Lei. Prisões, tortura e morte de inocentes e culpados igualmente, na única democracia que os fuzis conhecem, que é a da igual distribuição da morte.

E se amanhã você ou eu formos presos num quartel do Exército por uma razão qualquer? Talvez por ofender a "moral" de um desses tenentinhos recém-saídos do CPOR e que se acham grande coisa por envergarem platinas nos ombros. O que acontecerá se a justiça determinar a sua ou a minha soltura? Bastará aos milicos dizerem que não cumprirão a decisão da Justiça, e pronto. Nós poderemos passar a integrar a lista dos inúmeros desaparecidos ou suicidados da América Latina, sem que ninguém possa fazer nada a respeito, como Yara Yavelberg, Wladimir Herzog e Stuart Angel, apenas para citar os mais famosos dentre tantos.

E para piorar tudo, o golpe de morte no Estado de Direito foi dado com a aval do (des)Governo Lula. A Advocacia Geral da União, que a essas horas deveria estar preparando um caso contra o comandante que se recusou a retirar suas tropas, está a preparar um recurso contra a decisão da Justiça...

Esperemos que a coisa fique por esse ponto, e que o tão propalado terceiro mandato de Lula não seja conseguido através dos canos dos fuzis.

Se for este o caso, abro agora as subscrições para a resistência armada, assinando meu nome no topo da lista.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sexta-feira 13 realmente dá azar!

Retiro o que eu falei antes sobre ceticismo. Acredito plenamente agora que sexta-feira 13 é dia de azar!

Ao abaixar para pegar um objeto ainda há pouco, no trabalho, minhas calças rasgaram!!! Como não uso roupa de baixo, tal situação poderia converter-se num fato constrangedor ou até mesmo numa acusação de exposição indecente.

Estou aqui, preso à minha cadeira, sem levantar para nada, esperando com isso não agravar o estado da fenda nas calças, até chegar a hora de ir para casa.

Quer azar maior que esse???


Sexta-feira 13

Eu não creio em bruxas, mas que elas existem, existem!

Quase todo mundo é um pouco assim. Até um velho cético como eu, não pode deixar de lembrar que hoje é uma sexta-feira 13, dia tradicionalmente conhecido como aziago.

Eu não creio, particularmente, em sorte ou azar. Mas reconheço que certas circunstâncias nos levam a acreditar que algumas "forças ocultas", como diria o velho Jânio Quadros, conspiram contra nós ou a nosso favor.

Até o presente momento não tive indícios de que o dia de hoje será particularmente azarado. Ontem sim, foi um dia que começou com uma manhã calamitosa. Problemas no trabalho, com um programa de computador que deixou de funcionar de repente, uma coneção de internet que se recusava a trabalhar e uma série de outras coisas. Mas, na medida em que o dia foi passando, todas as coisas foram se ajeitando e no final do dia tudo estava resolvido.

De qualquer forma, vamos esperar para ver. Ainda há muitas horas pela frente...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Pisca-pisca é opcional?

Quero deixar aqui o meu protesto pelo fato das fábricas de automóveis estarem retirando o pisca-pisca da lista de equipamentos obrigatórios e incluindo esse importante sinalizador como opcional.

Não posso pensar em outra razão para tantos motoristas no RJ fazerem as curvas mais improváveis sem sinalizar, a não ser o fato de seus belos carros não possuirem tal equipamento.

A não ser, é claro, a preguiça de acionar aquela pesada alavanca, o que deve ser um esforço para os motoristas, já tão estressados pela luta do dia-a-dia.

Claro que existe uma outra possibilidade, mas prefiro pensar que não é esse o caso. Trata-se do desprezo pela ralé que não anda de carro. Afinal, quando um ser humano coloca-se sobre quatro rodas, dá um salto evulocionário e deixa de ser um homo sapiens para tornar-se um homo automobilis. E as duas espécies são, como competidoras pelo mesmo espaço urbano, são tradicionalmente inimigas.

Para você que dirige, um conselho: utilize a setinha quando for fazer curvas. Isso pode salar uma vida. Inclusive a sua, se o pedestre estiver armado e for "cabeça quente".

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O império contra-ataca

Aqui no Rio de Janeiro não são os bandidos que se preocupam com a polícia, e sim o oposto.

Uma vez assisti uma entrevista no programa do Jô Soares em que um Coronel PM do Rio (na época o comandante-geral da PM no estado) dizia que a polícia não subia o morro porque não era seguro lá em cima. Durante muito tempo fiquei sem entender tal declaração. Quer dizer, quem tem de garantir a segurança não é justamente a polícia? Se eles não vão lá porque é perigoso para eles, o que dizer então para as populações que vivem nessas áreas?

Agora, com a explosão de uma bomba na porta de uma delegacia, vejo que o Coronel tinha razão. A vida para a PM não é segura no Rio.

Será que em breve a PM carioca vai mudar de estado? Quem sabe vão todos para o interior de Minas, que é mais tranqüilo? Ou para o Nordeste?

Pelo menos assim não vai ter mais tiroteio nas ruas... Os bandidos tomam conta e pronto!

Perá aí... pensando bem, eles já tomaram!!!

A volta dos monstros

Devemos assistir hoje ao retorno de um monstro. Num país que já tem a mais alta carga tributária do mundo, o (des)Governo Lula deve conseguir trazer hoje de volta a velha CPMF. Disfarçada sob outro nome e com uma alíqüota diferente, mas sempre ela, incidindo sobre cada cheque emitido por cada brasileiro...

Para quem tem a memória fraca, antes de subir ao poder o "sapo barbudo" vivia falando mal do (des)Governo FHC e criticando as altas taxas de juros e a elevada carga tributária. Curiosamente, os juros hoje estão mais altos que nunca e o (des)Governo Lula move céus, terra e verbas públicas para torná-la ainda maior.

Outro monstro que está querendo dar as caras é a nossa velha amiga Inflação, que está conseguindo aparecer novamente nos noticiários, depois de anos e anos oculta pela poderosa máquina da propagada governamental e dos artificialismos econômicos.

Claro que no meio de todos os noticiários, sejam favoráveis ou contrários ao (des)Governo Lula, temos de enxergar a necessária cota de propaganda eleitoral embutida.

Mas os grandes monstros que temos de combater não se chamam "Carga Tributária" ou "Inflação". O reais monstros que assolam o Brasil são a "Falta de Vergonha" e o "Comodismo".

Enquanto a "Falta de Vergonha" faz com que os políticos pratiquem atos totalmente diferentes do que proclamaram em seus discursos, o "Comodismo" faz com que continuemos assistindo esse degradante espetáculo calados.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Definitivamente, o Brasil não é um país sério!

O (des)Governo Lula está gastando uma nota preta em verbas liberadas, para obter apoio do congresso para a reedição da CPMF, nosso velho imposto sobre os cheques.

A CPMF mal acabou de ser extinta e o (des)Governo já está querendo ela de volta. Não é de se estranhar, pois tem eleição presidencial se aproximando e os larápios do Planalto precisam de grana para investir na manutenção do poder.

A desculpa para a criação do imposto é a Saúde, que como sempre vai muito mal, obrigado. Acontece que o dinheiro da CPMF nunca serviu para melhorar o Sistema Único de Saúde, mas sim para financiar bancos semi-falidos e polícos semi-honestos.

Enquanto a equipe do (des)Governo Lula está pensando na nova CPMF, o castelo de cartas está desmoronando. O mito do Brasil sem inflação começa a ruir, com a nova crise do capitalismo mundial.

Companheiros, a coisa vai feder muito em breve...

Cristão sem educação também será salvo?

Imagine there is no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky

John Lennon, Imagine


Quatro jovens 'cristãos' de uma igreja pentecostal dessas que surgem diariamente em cada esquina invadiram no começo dessa semana um centro espírita no Catete e promoveram um quebra-quebra.

Os vândalos cristãos destruíram todas as imagens que existiam no local e agrediram algumas pessoas, tudo em nome do maravilhoso amor de Deus...

Até quando essa baboseira de religião vai causar problemas assim?

Como ateu convicto eu sempre mantive uma postura de estrito respeito à religião dos outros. Não creio, mas não tento obrigar ninguém a pensar como eu penso. Só peço que respeitem a reciprocidade e não tentem obrigar-me a crer.

Mas quando vejo esse tipo de coisa, penso que se todas as religiões fossem banidas o mundo seria um lugar melhor para se viver.

John Lennon tinha razão!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Só a mutabilidade é imutável

Tempos atrás a população do Rio de Janeiro, nessa época do ano, já estaria toda metida em agasalhos ou então tiritando de frio. Hoje eu estou andando nas ruas e parando ocasionalmente para uma cerveja ou outra para passar o calor.

Até bem pouco tempo atrás não se falava em terremotos ou furacões no Brasil. As línguas maldosas diziam até que a ausência de catástrofes naturais era a única vantagem de se morar nas nossas amadas plagas tupiniquins. Agora temos furacões no Sul e terremotos (pasmem!) em São Paulo. Antes os únicos tremores em São Paulo ocorriam quando a Bovespa caía muito, e furacão no Sul só ocorria quando o Internacional e o Grêmio disputavam final de campeonato.

Mas se fossem apenas as coisas do clima que mudassem, até que poderíamos nos conformar. Afinal, o clima depende tanto de nós quanto o voto dos nossos Senadores e Deputados, que fazem sempre o que bem entendem.

Quando as coisas mudam drasticamente no plano humano, porém, ficamos mais surpresos.

Quando um "super policial" acaba preso por lavagem de dinheiro é que vemos que não há segurança pública enquanto as Secretarias de Segurança Públicas não estiverem protegidas contra a penetração dos pilantras e não estiverem dominadas pelos mesmos ladrões dos quais, supostamente, elas deveriam proteger-nos.