sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ilusões

Sempre ligamos a palavra "desilusão" com algo negativo. Desiludir-se é ver o mundo cair diante de nós, é perder a imagem que se tinha de algo ou de alguém...

Mas eu tenho uma proposta para fazer aqui: Que tal examinar a possibilidade de que a desilusão é boa?

Vamos ver a coisa por ângulos diferentes:

a) Quem é que deseja viver eternamente numa fantasia? - Será que uma pessoa em seu juízo perfeito, deseja mesmo viver numa fantasia?? Não seria melhor e mais produtivo encarar a verdade de frente? Refiro-me a pessoas adultas e supostamente racionais. Será que pessoas assim aceitariam viver algo que não é real por muito tempo?

b) As ilusões vão acabar mais cedo ou mais tarde, e quanto mais tarde pior - Quanto mais tempo levamos imersos na ilusão, mais difícil libertar-mo-nos dela. E mais danosas as eventuais conseqüências.

Por isso, de agora em diante, sugiro que você encare essas desilusões como excelentes oportunidades para atingir a verdade. Como situações de aprendizado. Como um libertação da mentira.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Ninguém tem culpa

Ainda sobre o post anterior...

O rapaz morto por não estar vestido nos padrões que o vigilante achava necessários para entrar nas Casas Bahia e comprar um colchão vai ser, ao que me parece, mais um caso sem justiça.

As Casas Bahia dizem que querem satisfações da empresa se segurança. Na empresa de segurança, ninguém se manifesta.

E mais uma família lamenta uma vítima da estupidez...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O crime de vestir-se mal

Numa loja das Casas Bahia entrou um rapaz. Vinte e seis anos. Pronto para casar. Com uma criança de cinco meses para cuidar e uma família que o amava. Mas esse rapaz foi morto. Assassinado por um segurança por ter cometido um crime horrível: ele estava mal vestido!


Na nossa patética sociedade de consumo, com valores globalizados e massificados, parece que agora é crime, passível de pena de morte, não estar enquadrado nos critérios sociais de vestir-se bem.


Portanto, fiquemos atentos! Aqueles de nós que não estiverem usando sapatos, calças e bolsas de marca, poderão ser executados nas esquinas. Aqueles que não balançarem nas mãos chaves de carrões serão tidos como marginais. Afinal, não estarão contribuindo com seu consumo para dirimir a crise do setor automobilístico.

O mesmo noticiário que revelou esse absurdo, falou sobre a iminente falência da General Motors. Com essa brava crise internacional, talvez voltemos a andar de carroças. Isso não me surpreenderá nem um pouco, já que em nossas mentes parece que nem sequer saímos das cavernas.

Uma vez fui à Mesbla, comprar uma calculadora científica. Como o rapaz que foi morto, fui de bermuda e camiseta. Aproximei-me do balcão onde estavam expostas as calculadoras, mas nenhum vendedor aproximou-se de mim para oferecer seus préstimos, muito embora eu tivesse o dinheiro no bolso para comprar e pagar à vista o produto que eu queria. Naquela época, aos dezesseis anos, senti-me muito constrangido e acabei indo embora e comprando noutro lugar. Hoje percebo que tive sorte. Pelo menos não atiraram em mim!