terça-feira, 8 de julho de 2008

Qual o problema em ser menino e chamar-se João no RJ?

Quando o garoto João Hélio Fernandes foi arrastado do lado de fora de um carro pelas ruas do Rio de Janeiro por um bando de assaltantes que queriam roubar o carro de sua mãe, falou-se muito no elevado nível de crueldade dos criminosos.

Agora o garoto João Roberto Amaral é assassinado por policiais, e vamos falar o quê?

Não se esta mais discutindo a fúria de drogados que querem roubar carros para trocar por drogas nos morros, mas sim o despreparo, o descaso ou a estupidez da Polícia Militar, que usa a nós cidadãos como alvos, quando deveria nos proteger.

O Secretário de (in)Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, está inaugurando hoje, no mesmo dia do enterro de João Roberto, a Universidade da Polícia do Rio, um centro de qualificação de policiais.

Segundo o site de notícias Folha on-Line: "Ontem, o secretário chamou de 'infeliz coincidência' a inauguração do centro para treinar melhor policiais no dia seguinte a um episódio que, segundo ele, revelou a falta de preparo de dois policiais militares. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), também participará da cerimônia."

E isso é tudo. "Infeliz coincidência"... Eu não classificaria a coisa assim. Prefiro pensar que é uma amarga ironia, uma "crônica da morte anunciada".

Que a PM é mal preparada, todos sabemos. Que a PM ganha mal, todos sabemos. Que os PMs acabam vivendo nos morros, perto dos traficantes que têm de combater e que acabam se corrompendo ou morrendo, todos sabemos. Que a PM tem corruptos, sádicos e criminosos, todos sabemos.

O que nós não sabíamos era que José Mariano Beltrame e Sérgio Cabral tomarem uns drinques numa cerimônia de inauguração iria resolver o problema. Se eu soubesse, já teria mandado uma garrafa para os dois há muito tempo!

É por essas coisas que não se verifica uma evolução na direção da solução dos problemas. As medidas são apenas de fachada. Inaugura-se muito, mas faz-se pouco. Fala-se muito, mas nada de concreto é feito.

Eu nunca fui um grande defensor da pena de morte, mas agora sou. Se os vagabundos que mataram João Hélio já tivessem sido executados, esses policiais teriam mais cuidado com a pontaria.

Em meio a tudo isso me pergunto: por que estão declarando guerra às nossas crianças?

Os animais irracionais protegem suas crias. Será que somos tão piores assim, que fazemos das nossas crianças alvos de fuzis, sacos atirados dos prédios ou as arrastamos pelas ruas?

Pior: Por que permitimos que façam tais coisas com elas sem retaliação?

Nenhum dos meus filhos chama-se João. Também nenhum mora no RJ. Mas se um deles fosse morto por assaltantes drogados ou policiais idiotas, eu não iria chorar na frente das câmaras ou fazer manifestações de protesto. Eu mataria os assassinos na primeira oportunidade!

Só assim os dois lados da criminalidade carioca, assaltantes e policiais, iriam saber que não podem matar crianças impunemente.






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