O Rio de Janeiro ganhou! Em 2016 vamos sediar as Olimpíadas.
Isso, simbolicamente, representa muito para o povo brasileiro. Segundo o Molusco do Planalto, representa que nós ultrapassamos de vez os Estados Unidos na hegemonia mundial. Somos agora uma superpotência! Em rápida sucessão teremos uma Copa do Mundo de Futebol e uma Olimpíada.
Vocês já repararam como o Lula gosta de tratar o presidente americano informalmente? É sempre "o Obama" pra lá, "o Obama" pra cá. Mas se na visão dele isso o eleva como ser humano, quem sou eu para criticar, não é mesmo? Ele até já dotou o slogan oficial da campanha de Obama, o "Sim, nós podemos", que aparentemente vai substituir aquelas baboseiras de "O melhor do Brasil é o brasileiro" e "Sou brasileiro e não desisto nunca" durante o restante do mandato dele.
Voltando à Olimpíada, Lula afirmou que se esse evento atrair muitos investimentos privados, isso poderá ser o fim das favelas do Rio de Janeiro. Se alguém tivesse se preocupado em ensinar História para ele, ele saberia que foram os investimentos privados que geraram as favelas, em primeiro lugar.
Primeiro foi a desastrada libertação dos escravos em maio de 1888, que serviu para agradar os amos ingleses (Ingleses, para quem não sabe, eram os americanos daquela época. Falavam o mesmo idioma e mandavam no mundo inteiro.), mas não garantiu emprego e condições de vida decentes para os escravos libertos. Eles eram livres para passarem por todos os tipos de necessidades, como falta de educação, de saneamento e de comida. Ainda mais porque os antigos senhores de escravos, que na época representavam os investimentos privados, recusavam-se a pagar pelos serviços deles. Preferiam importar trabalhadores brancos de outros países, mesmo tendo à disposição uma massa de trabalhadores já treinados em suas funções. É que a Lei Áurea acabou com a escravidão, mas não com o racismo que a fundamentava.
Depois veio o boom da construção civil entre os anos 50 e 70, entre o milagre Juscelino e o milagre dos milicos, que atraiu gente de todas as partes esquecidas do país para o Sudeste, concentrando no Rio de Janeiro e em São Paulo, as maiores cidades do país, uma massa de emigrantes provenientes das regiões negligenciadas do país, como o Norte e o Nordeste.
A cada nova seca no Nordeste, aquelas mesmas secas que o imperador jurou acabar ainda que fosse necessário vender as jóias da coroa, mais e mais pessoas se deslocavam para o que os coleguinhas do Pasquim chamavam na época de "Sul Maravilha", na esperança de ganhar muito dinheiro. Acontece porém que o local de ganhar dinheiro fácil do país já havia sido levado por Juscelino para o Centro-Oeste, mais especificamente para Brasília. E mesmo lá o dinheiro só era fácil para os congressistas.
Foi com essa mistura de ex-escravos e nordestinos, abandonados pelo Estado à sua própria sorte, que se formaram as favelas que a Olimpíada vai acabar. Elas serviam, e servem, de fonte de mão-de-obra barata para os investimentos privados. Esses mesmos investimentos privados que o Molusco do Planalto agora espera que acabem com as favelas.
Já tem gente se engalfinhando pela verba para realizar a Olimpíada. Dilma, a futura presidente, chamou a si a responsabilidade de controlar a verba. No Brasil é sempre assim. Quando vai haver uma grande liberação de verba, todo mundo quer ser responsável, mas quando surgem os escândalos de mau uso do dinheiro, os tais responsáveis sempre alegam que não tiveram responsabilidade alguma no sumiço do mesmo. É o que se pode chamar realmente de "responsabilidade parcial".
Começando desse jeito, o evento vai deixar de ser uma Olimpíada para ser uma Olimpiada. E o acento não vai sumir por causa da reforma ortográfica, mas sim por tudo ser uma piada mesmo. E que pode acabar sendo de muito mau gosto, por sinal.
Qual será o acordo que o governo e a prefeitura do Rio de Janeiro terão de fazer dessa vez com os narcotraficantes para que haja paz durante as Olimpíadas? Quanto as milícias receberão para ajudarem a PM carioca na manutenção da desordem? Perdão, da ordem. Será que o orçamento será estourado mais uma vez, como no caso do Pan? Essas são algumas das interrogações que o povo devia fazer antes de sair comemorando pelas ruas mais essa conquista do (des)Governo Lula.
E já que estamos falando em Olimpíadas, é bom que eu deixe registradas aqui as minhas idéias sobre os jogos pós-Olímpicos, que serão realizados nas CPIs para investigar o mau uso da verba, quando as Olimpíadas acabarem.
Teremos o "Revezamento de Acusações", uma modalidade na qual, no lugar do bastão dos corredores, passa-se adiante a resposabilidade. Haverá também o "Salto de Investigações", no qual ao invés de balizas os competidores tentarão pular por cima das auditorias sobre o dinheiro público desaparecido. Teremos também a habitual "Maratona de Cara-de-Pau", na qual sai vencedor aquele que consegue negar por mais tempo que se beneficiou com o esquema de currupção.
Essas, é claro, serão as modalidades praticadas pelos nossos corruptos habituais. O povo praticará o mesmo esporte de sempre, o remo. Afinal, faz tempo que o povo brasileiro rema contra a maré, elegendo sempre os mesmos ladrões para os cargos públicos.
Além dos jogos pós-Olímpicos, já estamos vendo o começo dos jogos pré-Olímpicos. Nesses a modalidade mais popular será a de sempre, o "Assalto com Vara", na qual os admistradores da coisa pública assaltam o nosso dinheiro e ainda metem a vara nos nossos... ah... deixa pra lá, se eu escrevesse isso não iam me deixar publicar mesmo.
Falando de perseguidas!
Há 12 anos
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